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Quando as crianças não gostam dos novos namorados dos pais

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O que acontece quando as crianças não gostam dos novos namorados dos pais

A separação dos pais só será um evento traumático para os filhos se o clima for de desespero, briga, rivalidade e vingança. Para o casal que se separa de forma madura (sim, é possível) as sequelas para as crianças são mínimas a não ser pelo desconforto inicial de readaptação à uma nova realidade de pais morando em casas separadas e pequenas rotinas que se alteram.

O grande dilema dos pais acontece exatamente no passo seguinte quando já separados querem apresentar um novo parceiro amoroso para os filhos. É preciso ressaltar que as crianças não tem um julgamento próprio muito sofisticados, principalmente as menores, na maior parte elas refletem crenças e julgamentos que ouvem dos adultos, na escola e na TV, então esse processo dependerá essencialmente dos pais.

Tomaremos no caso do pai que começa a namorar, mas pode ser para a mãe também. Seguem algumas hipóteses que podem explicar o motivo da incompatibilidade entre a criança e a nova namorada do pai e as soluções para cada situação:

  • A mãe (e ex) está contaminando a visão dos filhos por ciúme não admitido. É muito comum que a nova namorada seja alvo de ataque da mãe e como essa visão para a criança é importante quem acaba pagando é a nova pessoa que chega na vida do pai. O pai e a mãe precisam resolver da maneira mais tranquila qualquer pendência emocional e evitar contatos próximos durante um tempo até que algum convívio possa ser possível.
  • A criança imaginou que depois da separação teria os pais isoladamente só para si. Os pais precisam explicar que depois da separação cada um quer seguir buscando a felicidade com outros parceiros amorosos e que ela terá que entender isso.
  • Criança tem falsas esperanças de reconciliação dos pais. Os pais precisam explicar que esse cenário não será possível, mas para isso precisam ter certeza que não será mesmo.
  • A apresentação da nova namorada não foi bem feita. As crianças não se adaptam facilmente se tiverem que lidar com muitos estímulos novos de uma vez só. Procure apresentar a pessoa nova aos poucos, de preferência em ambientes neutros, aproximando aos poucos até chegar a entrar em casa.
  • Os pais ainda usam a criança como joguete da separação para afetar um ao outro. Nesses casos a namorada nova só vai sofrer as consequências da infantilidade dos pais que precisarão resolver suas pendências antes de querer aproximar um parceiro novo para os filhos.
  • A nova pessoa ainda não está confortável com o papel em relação aos filhos do namorado. A namorada nova também precisa ser reassegurada de sua importância para não achar que a criança representa uma ameaça por estar ligada a mãe (ex do namorado). E pode ser que essa relação nunca seja agradável ou possível por motivos que competem ao novo parceiro.
  • Outros namoradas tiveram um convívio problemático e a criança está com receio de se apegar. Talvez seja o momento do pai pensar se suas escolhas amorosas são bem feitas ou se está sendo muito precoce ao enfiar goela abaixo do filho um relacionamento que não está sólido nem para ele.
  • A criança é desconfiada de modo geral. Nesse caso conta o bom senso e tato dos pais para encorajar a criança a enfrentar os seus receios.

Em qualquer cenário o que vai determinar a boa adaptação é a presença de pais amorosos em torno da criança e a tranquilidade de seguir em frente diante de uma vida nova com amores novos.

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  • Frederico Mattos

    Psicólogo clínico junguiano há 10 anos formado pelo Mackenzie, especialista em relacionamento amoroso, autor dos livros "Como se libertar do ex", "Relacionamento para Leigos" e escreve diariamente em seu blog "Sobre a Vida".

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