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Sexo na terceira idade

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Existe um mito de que quando as pessoas ultrapassam uma certa idade, elas perdem completamente o desejo sexual e que viveriam a base de chá de camomila. Na prática não é o que acontece, principalmente com a nova geração de sessentões e setentões que conseguiram se adaptar aos tempos modernos onde Viagra, reposição hormonal e a longevidade que a medicina proporciona, melhorou a qualidade de vida na terceira idade.

Os idosos de antigamente tinham poucos recursos (ainda que a vontade de muitos fosse a mesma dos idosos de hoje), então problemas com o corpo, como diabetes, problemas cardíacos, respiratórios e urinários, eram muito mais frequentes. Hoje os recursos tecnológicos nos deram mais tempo de vida e com isso mais capacidade para sonhar, fazer planos e se dedicar a uma vida com significado. Essa injeção de ânimo trouxe também a esperança de encontrar um novo amor para alguns idosos que estavam viúvos.

A sexualidade na terceira idade precisa de adaptações, é claro. Principalmente se a estimulação sexual estiver refém da juventude ou de pele de boneca. O tempo para namorar é altamente valorizado – afinal muitos já se deram conta que não é apenas a ereção do pênis ou a lubrificação vaginal que proporcionam um bom orgasmo. Os casais mais idosos conseguem desenvolver um ritmo diferente dos mais jovens (e afobados). Pode parecer impossível, mas eles podem conseguir um prazer proporcional – e às vezes de mais qualidade – do que as gerações mais novas.

A vontade de amar, de dar e receber prazer, só desaparece quando os tabus não são confrontados. Para muitos idosos ainda é difícil superar a ideia de pecado ao reconstituir sua vida amorosa depois de ter declarado amor por toda uma vida para uma pessoa só. Quem consegue romper com essas ideias fica mais disponível emocionalmente para um envolvimento fixo ou até casual.

Parece até difícil uma pessoa que se acha jovem imaginar sua avó paquerando indiscriminadamente sem ao menos querer manter uma relação estável com alguém – mas quem disse que tem que ser assim sempre e com todos?

Todo ser humano que esteja vivo buscará no encontro com o outro o seu prazer da melhor maneira possível. E aos que ainda carregam esse tabu, aí vai um lembrete: os idosos têm o mesmo direito ao gozo, assim como eu e você.

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  • Frederico Mattos

    Psicólogo clínico junguiano há 10 anos formado pelo Mackenzie, especialista em relacionamento amoroso, autor dos livros "Como se libertar do ex", "Relacionamento para Leigos" e escreve diariamente em seu blog "Sobre a Vida".

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